Os dias são outonos: choram...choram... Há crisântemos roxos que descoram... Há murmúrios dolentes de segredos... Invoco o nosso sonho! Estendo os braços! E ele é, o meu amor, pelos espaços, Fumo leve que foge entre os meus dedos!

-Florbela Espanca-

domingo, 8 de dezembro de 2013

Causos e Prosas



E tudo saiu do saco do Ananias...
A dor, a festa, a promessa,
Os gafanhotos que quebravam os galhos
A foice repetitiva, o andar lento,

Digo que tudo saiu do saco do Ananias...
Devia ser velho rabugento ou o desbravador solitário?
A quantos bois escravos custou minha vida?
Laçou índias ou teria preferido negras?

E vai saindo do saco do Ananias...
Herdeiros emburrados, a garapa,
Os carrapatos das capivaras
A pinga e o cavalo ensinado

Sairá ainda do rugoso do Ananias?
O catira estralado, o doce no taxo apurado,
A sanfona do fole rachado,
Chamando casais a riscar um solado...



(juntamente com meu marido)

2 comentários :

JOSÉ ALVES disse...

um belo poema.Quisera eu ter convivido com meu avô. Parabéns.

Marilaine, visite meu blog.(José Alves) http://poetlia.blogspot.com.br/

Marilaine Pontes disse...

Fiz com meu marido ontem, somos primos de terceiro e quarto grau, temos um tataravô e um bisavô em comum, nos conhecemos na centenária festa do doce, que existe por causa de uma promessa de família, meu avô era catireiro e o dele sanfoneiro =) fico lisonjeada, verei o seu logo mais colega.

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